domingo, 15 de janeiro de 2012

Voltando ...

 O Retrato



O menino que caiu da moldura do retrato
 como quem tomba da varanda à rua
 onde está?, em que lembrança sua
 ou em que sepultura do passado,

 sufocado, com a boca atafulhada ainda de sonhos?
 O seu nome é agora menos um nome que uma doença rara
 que te desfigurou a cara, uma doença sem nome e sem cura;
 cabereis os dois na mesma sepultura?

 De todos os meus sonhos o mais insone é este,
 o de alguém perguntando por um estranho
 algures, onde o Lexotan se tornou literatura.  
 Caberemos todos na mesma sepultura?



Autor:  Manuel António Pina

1 comentário:

  1. Este lindo poema, (minha opinião), faz parte do último livro do autor, intitulado COMO SE DESENHA UMA CASA, publicado em Outubro de 2011, já após ter recebido o Prémio Camões. Dedico-o ao meu amigo "RETRATO", como incentivo à Sua descoberta.

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