sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OBRIGADA ...

Recordações
Tantas aves já voaram!
Quantos espaços vazios!...
As lágrimas que assomaram,
São quebras nos desafios,
São saudades dolorosas
E ainda tesouros de encanto.
Ervas daninhas e rosas,
rastejando  em campo santo ...

Não há regresso ao passado.
Nem retomar de um momento.
Tudo vai sendo mudado
Em contínuo fluir lento...

Sempre existe, só agora.
O resto, foi, ou será.
Agarra bem cada hora!
Vive-a! Não voltará!
E os que são vida contigo,
Em dias, meses e anos,
Dá-lhes troco de amigo.
Não alimentes enganos.
Quando houver separação,
Por destino consumado,
Guarda bem no coração
Esses tesouros do passado.
Jesus Varela.

ANIVERSÁRIO

Outono  -  30 de Setembro.
                                  
Primeiro Ano sem ti  Querida Mãe, abandonaste-me  pela lei inexorável da vida.

Vou tentar pedir clarividência em cada recorte do horizonte,  saltitante em arco-íris, ao olhar as pedras e vê-las sorrir, quando o som deslizante do crepúsculo me sussurra palavras que não sei decifrar, esperando  que o restolhar das folhas traduzam os cânticos longínquos, duma onda quebrada, que me ajudem a encontrar a Paz, para que possamos Descansar.


Maria José Portugal

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PARABÉNS ...

Com toda a ternura dos muitos anos passados, vividos e a VIVER ...
Parabéns,
              
             ANTONINHO CRAVO ROXO












quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PABLO NERUDA



Nixon, Frei e Pinochet
até hoje, até este amargo
mês de Setembro
do ano de 1973
com Bordaberry, Garrastazu e Banzer
hienas vorazes
da nossa história, roedores
de bandeiras conquistadas
ao preço de tanto sangue
de tanto fogo
atascados nos seus latifúndios
depredadores infernais
sátrapas mil vezes vendidos
mil vezes vendilhões, por conta
dos lobos de New York.
Máquinas esfomeadas de dólares,
manchados pelo sacrifício
dos seus novos martirizados,
negociantes prostituídos
do ar e do pão latino-americano
fossas fedorentas, carrascos, matilha
de caciques patibulares
sem mais lei do que a tortura
e a fome do povo sob o chicote.


(último poema 1973)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tão Esquecido!

Pedrão Calado
ladrão profissional
assaltante
à mão armada
bastante eficiente
nas artes
do roubo em geral
Pedrão Calado
ladrão
de sua profissão
não era robin hood
nem anjo protector
dos pobres
não era um amador
tudo o que queria 
era conseguir uns cobres
para viver decentemente
na sua profissão
de ladrão
correcto e competente
Pedrão Calado
ladrão profissional
cuja verdadeira 
profissão
afinal
se lhe recortava 
rigorosa    no olhar


a solidão


  



mário-henrique leiria (1923-1980) 

                     

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PALAVRAS





Apanhas do chão as palavras gastas,
como frutos podres; uma a uma,
no poema, formam a frase que
nunca imaginaste, com um sentido exacto.

E vês a árvorede onde cairam,
com as suas folhas de sílabas
e os seus ramos de verso, segredar-te
um musgo de sentimento ao ouvido.

Agora, as palavras são tuas. Envolvem-
-te como a hera se agarra aos muros,
e crescem por ti dentro até à alma.

Então, colhe as palavras que te enchem,
antes que caiam como frutos podres, e
oferece-as a quem passa, no cesto do poema.


Nuno Júdice





domingo, 28 de agosto de 2011

UM CANTO ...

Um canto em quatro cantos repartido:
o sonoro brado, a branda avena,
o rogo amargurado e corroído
e a vertical canção do sem-sentido.

Luís, mais perto desta a tua pena
está no parado e rápido ruído
que nos enche o papel e nos ordena
a palavra que verte, mira, acena

- e mais se me desmente o já poído
verbo no tenso engano em que me lido,
e ele me vence, em que fugaz arena!

Só nesta luta rasa e tão pequena
me entendes e te vejo na serena,
cega certeza de já ser vencido.


Pedro Tamen