quinta-feira, 30 de setembro de 2021
domingo, 21 de outubro de 2018
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
domingo, 11 de março de 2018
Homenageando
O Poeta ULISSES DUARTE, faria nesta data 95 anos,
escolhi da sua vasta Obra, este Poema intitulado - Melodia Nocturna - do seu livro - DA MINHA PAISAGEM -, publicado em Lisboa no ano de 1959 e que teve uma Edição Especial em 2007, um ano antes do seu falecimento
a 16 de Janeiro de 2008. A sua
Caricatura é da Autoria de Pedro Massano.
Era
tarde.
O Sol
pintava cor de fogo o horizonte.
A
Natureza bebia, sopros de brisa, em seu leito.
Zigue-zagues
de andorinhas feriam o tom anil
dum
azul meio desfeito dum firmamento de Abril.
Os animais
ensinavam numa lição colossal,
que a
vida para ser vida, nunca tem vida no mal.
E,
enquanto
as sombras das trevas descaíam lentamente,
os
ralos por entre as ervas, cantavam alegremente.
Eu
bebia a Natureza em tudo o que ela me dava!
Dentro
de todo o meu ser, a Natureza falava!
Sentia
dentro de mim uma vontade gigante
de ter
asas... de voar...
Lançar-me
no Infinito!
De ser
eu num eu distante!
De ser
o deus desse mito que só eu soube encontrar!
A brisa
regia a «Orquestra» que os poetas compreendem
e os
homens não entendem!
− era a Natureza em festa!
a Lua
espreitava o Sol que envergonhado fugia.
− Era a Noite que aparecia.
Tão
extasiado estava
que nem
reparei no Cisne-do-Lago-d’Águas-de-Prata.
Eu costumava
dizer-lhe: − Boa noite, meu menino!
Ele
nunca respondia.
Silencioso...
distante...
nem
sei, até, se me ouvia.
.....................................
−
Poeta, queres vir comigo?
− Quem
me fala? Quem desperta este Infinito
que
aperta tudo em volta do meu ser?
− Eu,
poeta! Sou o «CISNE»!
− Mas
tu falas? Não sabia!
−
Falei-te sempre, poeta!, nessa altura eras só homem,
não compreendias a vida sem caprichos e
vaidades.
Agora,
como
não hás-de ouvir um cisne falar
se a própria
Natureza mora em teu peito a cantar?
Queres
ouvi-la melhor?
− Salta
pra cima de mim,
não temas, vem comigo.
...................................................
Logo,
como num encanto regido por mão de fadas
centenas
de pirilampos seguiram à nossa frente....
(parecia que o Sol tinha largado um bocado
para
alumiar a gente)...
Onde
queríamos ver, era dia de verdade!
E
então,
oh
realidade suprema das ambições!,
vi os
pobres miosótis cantarem lindas canções
enquanto
as borboletas dormitavam em seus braços;
vi
lírios do roxo lírio dizerem versos, às
rosas,
trespassados
de martírio;
junquilhos
brancos de neve balouçando docemente,
embalados
pela brisa que soprava levemente;
ervilhinhas
perfumadas, ouvindo aos amores perfeitos,
poesias engraçadas;
e os
bem-me-queres, reunidos, lamentavam-se dos homens..,
Uma
rainha dos prados, erguendo a sua corola,
segredou-me
a meia voz:
−
Poeta, não vás embora! Fica.
Vive para nós!...
Ergui-me
com tal leveza...
parecia
que a Natureza me tinha tornado alado!
E numa
dança de vida em que o meu corpo seguia
na dança da própria dança,
rodopiei pelo lago de prata e cor
de Esperança!
Ora
erguia, ora baixava meus braços com todo o amor.
− O meu
coração rezava uma prece ao Criador!
Das
flores, partiu um coro de nostalgia campestre.
Vibrei
de alma arrebatada!
A Natureza aparecia como uma orquestra
ensinada
por um
regente celeste!
Depois,
já
quase sem forças, um grito louco, estridente,
saiu do
meu peito ardente e vibrou pelos espaços.
até
cair pelos montes todo desfeito em pedaços...
Um
grito de mim nascido, filho da minha franqueza:
− Oh
HOMEM!,
para
amares o homem, anda amar a NATUREZA!
LISBOA, 1959.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
sábado, 21 de outubro de 2017
ANIVERSÁRIO
- SEMPRE EM SOFRIMENTO -
Esta "menina" amarelecida pelos anos é Eterna no teu/meu coração. Acalenta-A.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
ANIVERSÁRIO
Querida MÃE,
Esta menina, dum tempo longíquo, continua a "resistir à tua ausência".
Os anos passam e a ansiedade vai ocupando o espaço entre o TER e o NÃO TER, e continua na busca de te encontrar. Rosas para TI, flor do meu jardim alado!
sexta-feira, 11 de março de 2016
SEMPRE
O Poeta ULISSES DUARTE, que partiu há oito anos, faria hoje 93 anos.
O Poeta ULISSES DUARTE, que partiu há oito anos, faria hoje 93 anos.
Pedido
Pedi
um dia ao vento,
leva-me,
deixa-me
vogar perdida
nesse
azul sem fim.
−
Não alma torturada
continuarás
a ser varrida
como
a folha caída
e,
açoitada por mim.
Pedi
ao sol
leva-me,
para
teus raios
vibrarem
nesta mente sofrida.
−
Não pobre aventureira
corre,
corre a vida inteira
viver
sem ti
a
luz deixa de ter vida.
Chorei
todo
o soluço reprimido
é
espinho cravado no coração
envelhecido
por tanto sofrer.
... eu só queria morrer!
SANDRA.
"... Querida Sandra. Dizer o teu corpo de infância, os teus seios breves, o lugar do nosso encontro no inacessível da vida, o teu pequeno grito quando o encontávamos. E a lassidão final - como te amo. E tu sorrires no sorriso que não vejo e todavia sinto na tua mão pela minha face. Como não soube contar na história que de nós contei. " ...
- excerto do texto cartas a Sandra de Vergílio Ferreira, pag, 67.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
30 de Setembro de 2015
Neste dia tão especial e doloroso para mim, desejo postar a referência a um raro livro, que leio sempre avidamente, tentando procurar o caminho do Oráculo, que me guiará à Estrela onde se "esconde" a essência de mim.
quarta-feira, 11 de março de 2015
HOMENAGEM
O Poeta ULISSES DUARTE que partiu há sete anos, faria hoje 92 anos.
Desejo ou Ilusão
Eu queria ser o não ser...
E então,
ninguém seria mau,
ninguém seria pobre,
ninguém seria doente,
ninguém seria LADRÃO!
E,
eu que só sou o que sou
e às vezes nem o que sou, sou.
Eu queria estar onde não estou!
E ninguém chorava,
ninguém teria frio,
ninguém teria fome,
porque eu lá estava!
Mas eu nem sempre estou onde estou!...
SANDRA.
“Hoje a obsessão foi
mais forte. Escrever-te. A nossa história que contei parecia-me intocável.
Princípio e fim de nós nela, a tua morte selara-a para sempre. E todavia é
nessa eternidade que a tua memória me perturba e a imagem terna do teu
encantamento.”
[ Excerto da obra inacabada de Vergílio Ferreira (1916-1996) - CARTAS A SANDRA ].
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